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Saturday, January 23, 2016
Saturday, July 24, 2010
Antonio Lobo Antunes - Eu hei-de amar uma pedra
"(...) se calhar uma dúzia de recordações penduradas num fio de lágrima igualmente
(a velha história dos genes)
episódios a quem a gente agradece por continuarem conosco mesmo desbotados, vagos, amontoando-se numa caixinha de que cerramos a tampa com medo de que se evaporem, visitamo-los em segredo protegendo-os com a mão
-Não me roubem o que fui (...)"
"(...) tal vez unos cuantos recuerdos colgados en una cadena de lágrimas también
(la vieja historia de los genes)
episodios que agradecemos porque siguen con nosotros aun descoloridos, vagos, amontonándose en una cajita cuya tapa cerramos por miedo a que se evaporen, los visitamos en secreto protegiéndolos con la mano
- No me roben lo que he sido (...)"
(a velha história dos genes)
episódios a quem a gente agradece por continuarem conosco mesmo desbotados, vagos, amontoando-se numa caixinha de que cerramos a tampa com medo de que se evaporem, visitamo-los em segredo protegendo-os com a mão
-Não me roubem o que fui (...)"
"(...) tal vez unos cuantos recuerdos colgados en una cadena de lágrimas también
(la vieja historia de los genes)
episodios que agradecemos porque siguen con nosotros aun descoloridos, vagos, amontonándose en una cajita cuya tapa cerramos por miedo a que se evaporen, los visitamos en secreto protegiéndolos con la mano
- No me roben lo que he sido (...)"
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Antonio Lobo Antunes,
Portugal
Saturday, July 10, 2010
Antonio Lobo Antunes - Yo he de amar una piedra
"... quedó parte del cuello y el telón una niebla, supongo que la Photo Royal Ltda. una niebla también, una niebla el fotógrafo con las manos amarillas de los ácidos que nos acomodó en la silla, una niebla el espejo con un cepillo y un peine para arreglar rodetes, melenas, Beato cambiado, muchos edificios ocultando el río que el tiempo disolvía igualmente, yo escurriéndome de mi madre y el fotógrafo ajustando lentes, invisible tras las cajas, arcos voltaicos, telas, el desorden de bodega d elos bastidores..."
"...al irnos de Bissau las cosas se despedían de nosotros, hasta el mástil de la bandera, los emblemas de los batallones en escayola que iban perdiendo pintura, la pena de las cosas tan obvia..."
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Antonio Lobo Antunes,
Portugal
Tuesday, March 30, 2010
As Naus II - Antonio Lobo Antunes
"O resto eram bares barrocos e restaurantes caros, o macio desgoverno do conhaque, e às nove da noite o Jardim que se assemelhava a um cenário pintado à espera da representação que nunca iria haver, com uma figurante idosa a passear de tronco em tronco o cãozito todo jubiloso de mijos fraternos.."
(...)
(...)
...e decidiu que o pai, que fervia na urna um bulício de minhocas, teria de contentar-se com um enterro furtivo, à noite, nas sombras que os cemitérios esquecem junto aos muros, onde a erva é mais alta que o olhar dos coveiros."
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Monday, March 22, 2010
As Naus - Antonio Lobo Antunes
"Os semáfaros da Avenida Almirante Reis empurravam o trânsito na direcçao do largo de contrabandistas to Martim Moniz e das suas violas de pedintes que repretem até ao delírio queixumes de calafates desamparados de mar. o senhor Francisco Xavier chamou-me do balcão, a fechar o livro numa imponência eclesiástica, e dei com a mulata vestida de fantoche ou de palhaço de circo como a rapariga dos sapatos de homem, de carapinha apanhada num carrapito de laços, unhas prateadas, baton, pálpebras verdes e uma vírgula de espanto na testa franzida. A velha, de agulha na mão, compunha-lhe à pressa as pregas de lamê das ancas.
-- A tua esposa vai trabalhar lá em baixo num bar até a contazinha da pensão ficar paga, decididiu o indiano a esfregar com empenho a fazendas das virilhas. Se as coisas nos correrem bem, rapaz, daquei a nada é melhor do que três cinemas em Lourenço Marques."
-- A tua esposa vai trabalhar lá em baixo num bar até a contazinha da pensão ficar paga, decididiu o indiano a esfregar com empenho a fazendas das virilhas. Se as coisas nos correrem bem, rapaz, daquei a nada é melhor do que três cinemas em Lourenço Marques."
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Friday, January 29, 2010
O esplendor de Portugal - Antonio Lobo Antunes
"Compreendi que a casa estava morta quando os mortos principiaram a morrer.
(...)
O autêntico coração da casa eram as ervas sobre as campas ao fim da tarde ou no princípio da noite, dizendo palavras que eu entendia mal por medo de entender, não o vento, nãs as folhas, vozes que contavam uma história sem sentido de gente e bichos e assassínios e guerra como se segredassem sem parar a nossa culpa, nos acusassem, repetindo mentiras, que a minha família e a família antes da minha tinham chegado como salteadores e destruído a África, o meu pai aconselhava
- Não ouças"
(...)
O autêntico coração da casa eram as ervas sobre as campas ao fim da tarde ou no princípio da noite, dizendo palavras que eu entendia mal por medo de entender, não o vento, nãs as folhas, vozes que contavam uma história sem sentido de gente e bichos e assassínios e guerra como se segredassem sem parar a nossa culpa, nos acusassem, repetindo mentiras, que a minha família e a família antes da minha tinham chegado como salteadores e destruído a África, o meu pai aconselhava
- Não ouças"
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